Uso constante da tecnologia estimula cobranças excessivas por parte dos empregadores. Isso causa efeitos negativos e na jornada de trabalho exaustiva na vida de empregados.

Com a popularização dos telefones móveis e os aplicativos de conversação, as chamadas ou mensagens instantâneas com demandas vem inclusive em período de férias. Algumas coisas são cobradas muito mais fora do trabalho do que dentro.

Segundo o ministro Cláudio Brandão, do Tribunal Superior do Trabalho, existem limites a serem observados pelos empregadores no uso de aplicativos de mensagens para localizar seus subordinados. “O empregado de folga não está vinculado a nenhum poder de comando do empregador. Quando faz esse tipo de cobrança, o empregador pode gerar o direito à desconexão do trabalho ao empregado”.

O direito de se desconectar do trabalho exaustivo não está previsto em lei, mas tem como fundamento o princípio de que todo trabalhador tem a prerrogativa de usar o tempo livre da forma que entender.

Para o psicólogo Jairo Borges Andrade, da Universidade de Brasília (UnB), a responsabilidade pela conectividade ultrapassar o tempo de trabalho não é da tecnologia. “O que precisa ser redesenhado é o processo de trabalho”, propõe.

Já para Fernanda Sousa, também psicóloga, o excesso de disponibilidade pode fazer com que o empregado chegue ao esgotamento. “Desconectar é super importante. Quando estiver de férias, esteja de férias. Quando estiver no trabalho, esteja no trabalho”, aconselha.

No âmbito do TST, estão sendo julgados processos envolvendo a disponibilidade exagerada devido às novas formas de comunicação, com o consequente direito à desconexão do trabalho.

Texto adaptado da versão original publicada em: http://www.tst.jus.br